Paternalismo europeu

cliché? talvez. mas é-me difícil não pensar em salazar ou franco quando os lideres europeus se ecomportam como os pais que sabem melhor que os filhos o que é bom para eles. tratam-nos como parvos, ignorando referendos falhados, dando outro nome à coisa e passando-a à revelia do que foi votado por quem lhes deu o lugar no assento europeu, e nos respectivos governos de cada país.

no meio disto tudo não está a questão se sou a favor ou contra – está a maneira como estes lideres prepotentes, que esperam que os elejam mas não confiam, não lhes interessa confiar, no mesmo povo para tomar decisões sobre a sua própria vida.
aliás, nem sequer se dão ao trabalho de explicar que alterações são essas, como se vão reflectir em cada um daqueles que os senhores deixaram de representar no dia em que resolveram ignorar a vontade dos que dizem representar. acreditam que a sua vontade é maior e melhor do que a do povo. o povo que era bom e esperto quando lhes deu o voto.

a arrogância de pai grande e banqueiro para com o pai operário das obras é o que se vê na resposta da “europa” à resposta da Irlanda. ignorar e tratar como estúpido e sem vontade, mais uma vez, o povo. aquele que devia ter voz – a voz que foi negada nesta segunda volta desta constituição europeia (não importa que nome lhe queiram dar agora) – e a voz que agora falou contra.
ignora-se, passa-se por cima, pisa-se, faz de conta que foi um insecto que passou. esmaga-se. mãos nas orelhas e segue-se em frente.

falta de respeito, de moral. falta de representatividade acima de tudo. despedi-los a todos – os que se elegem para ser nossos representantes e que são só representantes de si mesmos e dos grandes interesses económicos.
para patrões chegam-me aqueles para cujas mãos volto na segunda. naqueles assentos só devem estar os que eu escolho representarem-me e que o fazem. com respeito por mim.

~ por salamandrine em Junho 14, 2008.

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