Dou por mim a cantar

Dou por mim a cantar. Estou só. Ninguém me viu.
Se me virem vão por certo pensar que alucinei.
“É do sol”, dirão. “Faz muito sol para um dia de Março,
e ele ali parado”.

Dou por mim a cantar.
Pensarão que amo a próxima obliquidade da luz,
o verão simulado.
Esquecem-se que a canção
é apenas um estado de alma,
um subterfúgio que me ilude,
me distrai da minha inumana forma,
me afasta da nocturna vocação que de mim não se afasta.


Luís Quintais

~ por salamandrine em Junho 23, 2007.

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