a festa…

Paris é uma Festa não me parece escrito por um escritor como supostamente o foi Hemingway (e digo supostamente porque é o primeiro livro que leio dele).

Senti um certo desconforto ao longo de toda a leitura, não conseguindo evitar a sensação de estar apenas a desfolhar o diário de um adolescente.
Acreditaria mesmo que assim o fosse, e até leria o livro com outra expectativa, ou com maior condescendência, não tivesse sido a escrita do mesmo arrastada durante anos.
Alguns episódios relatados nem sequer fazem muito sentido com a linha geral apresentada, mesmo com a personalidade que Hemingway vai apresentado de si mesmo. Lembro um episódio de uma discussão, ou melhor, de insultos quase gratuitos e sem retorno, num café, contado em modo quase exibicionista – o pintas que eu era -, que não ligam bem com a personagem tímida e respeitadora, própria do jovem da época, com que se apresenta em quase todo o livro. Ou outro episódio relatando conversas intimas com Fitzgerald – intimas, as in, não interessa a ninguém e parece apenas coscuvilhice e devassa privada, ou “como gente tão famosa me procurava até nas coisas mais privadas e pessoais”. E depois, aparecem aqui e ali interjeições ou diálogos sem ponta de interesse! Chegam mesmo ao raiar da incredulidade por serem conversas demasiado idiotas e sem sentido para terem de facto acontecido.

É a chatice de estar a ler um livro traduzido! Vai deixar-me sempre na dúvida sobre o escritor, se o mal é dele, se do livro, se foi a tradução… já me tinha acontecido o mesmo com o Casares ao ler o Morel em português.

E ainda assim não posso dizer que desgostei completamente de o ler. Existe em mim um fascínio muito grande por esta geração, por esta geração em Paris. Mas muito dele é absolutamente desnecessário e desconfortável. Será injusto o apontar o dedo totalmente à tradução, porque mesmo estando esta desajustada face à actualidade, com uma linguagem demasiado prudente para os dias que correm, não é isso que justifica o conteúdo muito fraco do livro.
De qualquer maneira, a quem estiver interessado em percorrer um pouco os passos naquela Paris, agarrem-no. Lê-se depressa.

sorry Vila-Matas :S

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~ por salamandrine em Setembro 20, 2007.

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