Fragmento de Liberdade

Pode prender-se um homem e pô-lo a pão e água. Pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.
Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido, mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz.
Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro — nunca sairá um escravo.



Lisboa, Maio-58

Mário Cesariny de Vasconcelos


Pacheco versus Cesariny, Luiz Pacheco
Editorial Estampa

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~ por salamandrine em Abril 10, 2009.

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