Poema

Os seus amigos nunca mentiam:
afáveis prometiam
a hora certa e a alma
disponível; contra
terem desilusões
rezavam por uma afronta
– foi assim que tudo começou:
para não esquecer, escrevia.

Encalhados na espera
que estivesse pronto, que na saída
caísse em si
e dispusesse dos seus afazeres
e na minúcia das duas dores
soubesse, como quem cedera.
Não tinha mão em tal grita,
o coração em tal bulha,

agora já havia pouco a fazer:
estava apenas de visita
e a conversa azedava. Interrompeu.
Pediu licença e contou histórias
que ouviu a terceiros; por não saber
concluir convenceu-
-se que contou o seu passado
e habita esse futuro.


José Alberto Oliveira

o futuro em anos luz

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~ por salamandrine em Abril 27, 2009.

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