Feira do Livro – day I

Cumpriu-se ontem o ritual – nunca falhar o primeiro dia na feira. Fui, passeei, subi e desci o parque, fiquei com dores nas pernas e inaugurei-me. Até me portei bem; não fui impulsiva e não comprei à primeira tentação, o que me valeu encontrar o livro do Luiz Pacheco, da colecção do Independente, a metade do preço que tem aparecido por aí, nessas feiras de livro que se encontram espalhadas por muitas estações de metro. O abuso de andar a vender um livro, daquela colecção, a 15€, só dá vontade de lhes mandar com o resto da colecção aos olhinhos. Ainda passei por uma banca que o tinha a 10€ mas resisti estoicamente e fui recompensada mais à frente com o mesmo livro a 7.5€.
Na Relógio d’Água o Senhor Teste, do Valéry veio a 2.5€ e a visita da praxe, às Quasi, fez-se com o retorno do Corvo do Rui Lage (agora tenho que ir fazer um cd com aquela playlist :D).
Ainda trouxe da Tinta da China, Uma Ideia da Índia, do Morávia. Uma prenda da gaja morena que partilha o meu código genético :D. Já só me faltam dois volumes. Estão proibidos de lançar mais algum volume durante a feira!

Primeiras impressões sobre a feira:
Primeiro que tudo, é sempre um prazer voltar à feira, subir e descer o parque, vasculhar livros e reencontrar caras conhecidas. Mas, este ano, não consigo evitar uma sensação de estranheza – é o frio, que mesmo às cinco da tarde se faz sentir, e às seis já começa a ser insuportável. Mesmo vestida à inverno, é desagradável não sentir os dedos enquanto se vasculha livros e é estranho não ter a mínima vontade de parar e comprar uma imperial ou queijadas, para comer e beber, sentada na relva, deliciada com as novas aquisições.
Não sei se o sr. Rui Beja tem um plano de indemnizações com o Instituto de Meteorologia, que, segundo ele, lhe garantiu condições similares às de Junho, mas devia ter um plano médico para tratar gripes, constipações e eventuais pneumonias do pessoal que trabalha na feira.

Tudo na feira deste ano está feito para não se poder e nem ter vontade de passar lá tanto tempo como o habitual em anos anteriores. É o horário, é o calendário. Até a tal zona de restauração está mal pensada. Em vez de recuperarem a ideia que tão bem resultou em anos anteriores, do restaurante ao cimo do parque, com zona protegida e paisagem privilegiada, temos esplanadas à entrada. Esplanadas de que só se pode usufruir até perto das 18h, porque depois disso, só os nórdicos ou masoquistas lá se vão sentar. E mais uma vez os trabalhadores da feira também saem prejudicados com esta solução.
Outra ideia peregrina são as casas-de-banho. Mas porque raio não se usam as que se usaram o ano passado??
Porque raio este ano temos casas-de-banho das obras, ou dos festivais? Alguém consegue imaginar o estado delas a um feriado ou dia de fim-de-semana? Será que não existe um mínimo de consciência e de respeito, não falando sequer nos visitantes, mas por quem está ali a trabalhar tantas horas?
E caixas ATM, ainda nem vê-las. Se alguma banca não tiver o sistema a funcionar, como aconteceu, ficam compras maiores anuladas, ou eventualmente em espera por uma outra visita.

Não consigo perceber o ar todo ufano do Sr. Rui Beja. A nova organização falha redondamente. Falha em coisas tão banais e importantes como a lista de livros do dia. Renovou tudo e para pior. O site é bonitinho e idiota. Temos facebook e twitter e não passam de intervalos de publicidade. A programação é limitada, os livros do dia não são recolhidos, a newsletter desapareceu. E até na feira deixaram de existir reunidos num só espaço, para consulta.
A programação no site resume-se aos eventos oficiais. Tornou-se impossível saber quem vai estar na feira, sessões de autógrafos ou outros eventos que não sejam programados pela organização do Sr. Beja. E se existem blogs que noticiam estas programações, não se percebe porque não o faz a organização da Feira do Livro do Lisboa.

As tais barraquinhas novas, basta um olhar mais atento para perceber que não vão durar muito. São bonitinhos? São, mas os outros não eram feios e eram resistentes. Os apoios laterais só aguentam 10Kg de peso e são seguros por parafusos e cordas – já há pavilhões a darem de si e a rachar. As bancas cheias de saldos e promoções e os alfarrabistas têm que reduzir a quantidade do que expõem, porque as barraquinhas não aguentam. É ridículo. Quero ver quantos chegam inteiros à feira do Porto.

Sinceramente, ainda tenho muitas saudades das feiras programadas pela Clara Ferreira Alves. Foram as melhores, com programação fabulosa e direccionada para um público mais ecléctico e exigente do que aquele que, claramente, procura esta organização, esquecendo que é esse público que dá dinheiro a quem quer vender livros para lá das novidades da semana. Esta organização não fica satisfeito enquanto não transformar toda a feira do livro numa praça leya.

Anúncios

~ por salamandrine em Maio 1, 2009.

Uma resposta to “Feira do Livro – day I”

  1. […] “Não sei se o sr. Rui Beja tem um plano de indemnizações com o Instituto de Meteorologia, que, seg…“ […]

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: