um dia aprendo….

Tê-los a todos como amigos seria ingente tarefa; basta que não os tenhamos por inimigos. O sábio, consequentemente, não provocará as iras dos poderosos, antes as esquivará, tal como no mar procuramos esquivar as tempestades. Quando foste à Sícila tiveste de atravessar o mar. Se o piloto é temerário não cuida dos perigos do austro, o vento que agita o mar da Sicília e provoca os remoinhos, nem se aproxima da margem à sua esquerda, antes navega por entre os turbilhões causados por Caríbdis. Um outro mais prudente inquere dos conhecedores do local o sentido das correntes ou os indícios a tirar das nuvens, e dirigirá a sua rota longe daquelas paragens tão tristemente famosas pelos seus vórtices. Idêntico método usará o sábio: evita a perniciosa companhia dos poderosos mas tomando cautela para não aparentar evitá-la; em grande parte a segurança reside em não buscarmos de forma demasiado evidente, pois fugir de alguma coisa é o mesmo que condená-la. Há, por conseguinte, que tomar todos os cuidados para nos precavermos do vulgo.


Séneca

Cartas a Lucílio, 14-8


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~ por salamandrine em Junho 1, 2009.

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