Galicia

Durante muitos anos, este recanto mais remoto da Espanha foi o cenário de naufrágios, piratas e lentas marítimas. Um historiados local, José Baña, registou aqui, apenas entre 1870 e 1987, uns duzentos naufrágios, em que morreram mais de três mil pessoas. Pesadas cruzes de granito espalhadas ao longo das falésias recordam aqueles que se afogaram à vista da terra. Os galegos ainda são um povo de pescadores, com as suas poderosas frotas de arrastões a atravessar o globo em busca de alimento para uma nação ávida de peixe. Desde a Argentina até Angola, passando pelo mar da Irlanda, a frota galega continua a batalhar tenazmente onde outros países europeus há muito tempo desistiram de explorar. Em consequência disto, cerca de vinte marinheiros e pescadores galegos continuam a morrer todos os anos no mar. Fala-se também e histórias de raqueros, que prendiam lanternas aos chifres dos bois para atraírem os barcos para as rochas. O navio-escola da Royal Navy, o Serpent, esmagou-se contra as rochas junto de Punta Boi quando atravessava uma violenta tempestade na sua rota de Plymouth para Freetown, na Serra Leoa, em 1890. Dos 175 cadetes a bordo, apenas 3 sobreviveram. Um pequeno e solitário cemitério murado, el Cementério de los Ingleses, situa-se perto deste local remoto, única recordação da tragédia.


Giles Tremlet, Fantasmas de Espanha

tradução de Maria Mendes
Aletheia Editores

el Cementério de los Ingleses

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~ por salamandrine em Junho 11, 2009.

2 Respostas to “Galicia”

  1. :D

  2. ;)))*****

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