como se fosse a última

No calor do bar a roupa fumegava. Gotas de água à volta. Calma solidão sem dor. Havia música. Meu Deus! a minha alma conhecia os seus caminhos. A terra era grande. Tudo quanto eu fizesse, cada coisa que me acontecesse, não me tornariam maior ou menor que a fé ou o desespero. Pois o desespero era antigo: uma delgada, tenacíssima raiz. Era uma experiência, um pensamento, um destino — algo que eu aceitava, que me induzia talvez a amar a vida. Estava só no meio da chuva tranquila. Podemos sempre beber uma cerveja como se fosse a última.


Herberto Helder

Os Passos em Volta

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~ por salamandrine em Julho 18, 2009.

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