what now.

depois de corrida a maratona, chegou finalmente a pausa.
Bolaño no sofá, à espera de ser um do as livros da minha vida. vinho branco, os pardais e o tempo ainda quente.
abate-se sobre mim o peso da inevitabilidade. now what?

 


 

Tu fazes de conta de que não te apercebes, mas apercebes-te, a filha da mãe da tua sombra já não vai contigo, mas, bom, isso pode explicar-se de muitas formas, a posição do Sol, o grau de inconsciência que o Sol provoca nas cabeças sem chapéu, a quantidade de álcool ingerida, o movimento como que de tanques subterrâneos de dor, o medo das coisas mais contingentes, uma doença que se insinua, a vaidade ferida, o desejo de ser pontual pelo menos uma vez na vida. A verdade é que a tua sombra se perde e tu, momentaneamente, esquece-la. E chegas assim, sem sombra, a uma espécie de palco e pões-te a traduzir ou a reinterpretar ou a cantar a realidade.


Roberto Bolaño, 2666

tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra
Quetzal Editores

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~ por salamandrine em Outubro 2, 2009.

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