Os que têm razão

«Aqueles que os guelfos acusam de serem gibelinos e que os gibelinos acusam de serem guelfos, são os que têm razão.»

Pareceu-lhe grotesco que os marxistas insistissem em converter, o que acabou por sucedera velha capela da cidade universitária num laboratório e, mais tarde, num teatro, porque, apesar da Universidade dever ser laica, tinha nascido religiosa, mais ainda, tinha nascido num convento, e por conseguinte, respeitar (visto que a maior parte dos professores e dos alunos era crente) um sítio de culto não era uma claudicação desse ideal laico, mas a confirmação de um credo liberal e tolerante que admitia qualquer manifestação intelectual dos homens, sem excluir as religiosas, e nenhum mal faria à Universidade se também albergasse um templo budista, uma sinagoga, uma mesquita e uma capela de mações. Todos os fundamentalismos eram perniciosos para ele, e não apenas os dos crentes, mas também os dos não crentes.


Héctor Abad Faciolince, Somos o Esquecimento que Seremos

tradução de Margarida Amado Costa
Quetzal

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~ por salamandrine em Fevereiro 24, 2010.

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