Enterro

Compreenderia ele que eu não estava no seu funeral
porque estava constipado, constipado como estava?
E saberia ele que isso era um pretexto,
o meu encolher de ombros, pois sim senhor, e que era tudo
escusado? Que não teria sentido ouvir esta chuva
a bater no seu caixão, e que ele também não viria
se ele por acaso cá não estivesse —
Ele com o seu candeeirinho a sua tesourinha desdobrável e o seu termóstato.
Mantinha as portas fechadas por causa da corrente de ar, os olhos abertos
ainda só para ver o desdobrar das folhas fracas
as orelhas ainda só para o alegre chilrear
dos pássaros na gaiola — Será que ele
compreenderia, se ele ainda compreendesse alguma coisa,
o que aqui me trazia, debaixo destas inoportunas nuvens
apressadas, quando ele já não estaria em parte alguma?


Judith Herzberg

traduzido por Jacinto da Silva Santos
Revista DiVersos nº 7

(ainda a pensar no capítulo 6 do Monstro)

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~ por salamandrine em Outubro 14, 2010.

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