Sardinhas na montra

Sardinhas na montra. Quase que as saboreio só de olhá-las. Sanduíche? Presunto e os seus descendentes amostardados e reproduzidos. Carnes de conserva. O que é o lar sem a carne enlatada Plumtree? Incompleto. Que anúncio estúpido! E espetam-no debaixo da necrologia. Todos em cima de uma ameixieira. A carne enlatada de Dignam. Os canibais acompanhariam com limão e arroz. O missionário branco é muito salgado. Como o porco de salmoura. Suponho que o chefe consome as partes de honra. Deve ser duro por causa do exercício. As esposas em fila para ver o efeito. Havia uma vez um velho negro majestoso. Que comeu ou uma ou algumas coisas do reverendo Senhor MacTrigger. Uma antecâmara da beatitude. Deus sabe que misturada. Membranas, tripas bolorentas, traqueias enroladas e picadas. Um quebra-cabeças para encontrar a carne Kosher. Nada de carne e leite juntos. Higiene é o que lhe chamam agora. Yom Kippur, limpeza rápida da Primavera, por dentro. A paz e a guerra dependem da digestão de um gajo qualquer. Religiões. Perus e patos de Natal. Matança de inocentes. Coma, beba e fique alegre. Depois são as enfermarias de urgência que ficam cheias. Cabeças entrapadas. O queijo digere tudo excepto a si próprio. Poderoso queijo.


James Joyce, Ulisses

tradução de João Palma-Ferreira
Livros do Brasil

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~ por salamandrine em Outubro 19, 2010.

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