Poderes*

Podemos ficar sentados a noite inteira
à espera de um sinal que nunca chega,
podemos num desespero sem nome perder
o gosto de tudo, enquanto o eu permanece
brilhante, estupidamente brilhante,
a sussurrar-nos ao ouvido a desgraça;
podemos, numa lufa-lufa, ir de filme
em filme, de livro em livro, como quem
sem terra procura uma casa, um lugar
a que possa chamar seu, onde tenha os seus
pertences e tempo para rir e tempo para
se aborrecer. Podemos ter pena de nós próprios,
podemos viver.


* Além dos sentidos comuns, poderes usa-se nos Açores como sinónimo de muito.


Carlos Bessa

Telhados de Vidro nº 3
Averno

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~ por salamandrine em Novembro 15, 2010.

Uma resposta to “Poderes*”

  1. fosga-se!
    bora lá viver… :P
    hei-de roubar-te isto.. :D

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