Livros

É raro sublinhar um livro e detesto ler livros sublinhados. Já me devolveram livros completamente riscados de uma ponta à outra, cheios de nódoas e desconjuntados. Irremediavelmente gastos. Essa impressão digital tem o inconveniente de denunciar onde a leitura foi abandonada, ou detectar onde o interesse começou a rarefazer-se.
Creio que não sublinho livros por me terem ensinado a estimá-los.


Jorge Fallorca, A Cicatriz do Ar
edição do autor

 


 

arrisco-me a esgotar (e enjoar) o tema.
para mim, um livro sublinhado é também um livro habitado. se o desinteresse levou a que a lapiseira não o voltasse a afrontar, também essa é a história dele e do seu leitor.
gosto de reencontrar leituras antigas, de as (re)ler como pertença de um estrangeiro, já tão ausentes de mim que não as reconheço, ou então, ainda tão habitadas pelo que sou que nos confundimos.
talvez seja uma espécie de arrogância, a tentativa de ocupar um bocadinho do mesmo espaço que o escritor. ou o marcar do território que agora também sou eu.

no que toca a estimá-los, deixo que fale por mim o terror nos olhos de quem ouve alguém pedir-me algum livro emprestado, depois de ter passado (ou tentado passar) pela mesma experiência sem que tenha sido aprovado para uma segunda volta.

 

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~ por salamandrine em Dezembro 19, 2010.

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