Pássaro-na-Mão

De modo nenhum quereria nem desejaria fazer mais aparências tal como os homens fazem com suas esposas conforme o Fenómeno lhes ordenou que fizessem por intermédio do livro Lei. Então não é a terra da promissão que pertence ao rei Delicioso e sempre pertencerá e onde não há morte nem nascimento nem esposamento nem maternidade e à qual chegarão todos os que nela crerem? Sim, o Pio tinha-lhe falado nessa terra e o Casto tinha-lhe indicado o caminho, mas o facto é que ao seguir pelo caminho tropeçara numa certa putéfia de agradável exterior cujo nome, disse ela, é Pássaro-na-Mão e ela atraiu-o por maus atalhos afastando-o da verdadeira senda com as lisonjas que lhe disse tais como, Oh, tu, belo homem, volta-te para cá e eu te mostrarei um excelente local e ela entregou-se-lhe tão lisongeiramente que o manteve consigo na sua gruta que se chama Dois-nas-Matas ou, para alguns sábios, Concupiscência Carnal.


James Joyce, Ulisses

tradução de João Palma-Ferreira
Livros do Brasil

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~ por salamandrine em Fevereiro 4, 2011.

2 Respostas to “Pássaro-na-Mão”

  1. :P

  2. \o/

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