O Extraordinário

A genialidade literária, difícil de ser definida, depende, para ser constatada, de uma leitura profunda. O leitor aprende a identificar-se com aquilo que lhe parece uma grandeza que pode ser somada ao seu eu, sem com isso violar a integridade do ser. A noção de «grandeza» está fora de moda, assim como a ideia de transcendência, mas é difícil continuarmos a viver sem alguma esperança de depararmos com o extraordinário.
Encontrar o extraordinário noutra pessoa é uma experiência cujas propensões são enganosas ou ilusórias. A isso chama-se «apaixonar-se»; deparar com o extraordinário num livro — seja a Bíblia ou as obras de Platão, Shakespeare, Dante, Proust — é um ganho, praticamente, sem custo. Os escritos dos génios constituem o melhor caminho ruma à sabedoria, que é, creio eu, a verdadeira utilidade da literatura para a vida.


Harold Bloom

excerto de: O Cânone do Génio
Revista LER nº 100

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~ por salamandrine em Março 16, 2011.

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