o lado prático

Era estranho, mas foi assim mesmo. Ao fim e ao cabo é sempre assim, pensei. O facto de termos obrigações, de termos de organizar qualquer coisa, faz com que as emoções sejam postas de lado, controladas. A necessidade de sermos práticos impede que aquilo que nos afecta nos deite abaixo. É por isso que há tantos rituais em torno da morte. A dor de termos perdido uma pessoa querida seria insuportável, se não tivéssemos de pensar no funeral, na roupa que devemos vestir, na música que deve ser tocada. Cada povo elaborou as suas formas de distracção. Os chineses, práticos e materialistas, conseguiram tirar à dor o máximo de sentimentalismo. Os seus funerais acabam sempre em grandes banquetes.


Tiziano Terzani, Disse-me um Adivinho

tradução de Margarida Periquito
© Tinta da China

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~ por salamandrine em Junho 2, 2011.

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