a montanha a parir um rato

Folheava «A Noite de Mardon» de K.A.
e detive-me na pág. 86 onde se lê:
«[…] vi-o sentado num banco à chuva, sozinho»
e a frase desenrolou-se em mim
labirinto de múltiplas portas duplas
— como superstições judaicas nunca sair pela que se entrou —
e a certeza — sem sombra de libelo feminista —
de que se estivesse escrito:
« […] vi-a sentada numa banco à chuva, sozinha»
o mistério desvanecer-se-ia entre os meandros
do histerismo, do período menstrual ou
do abandono conjugal.
De facto, é sempre a montanha a parir um rato
e o filho da mãe a fazer-lhe um filho


Ana Paula Inácio

2010-2011, Averno 039

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~ por salamandrine em Junho 22, 2011.

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