SPA on how to pimp you more.

Há algo que parece estar a ultrapassar toda a gente nesta idiota história da revisão da lei da cópia privada. Toda a gente, como alguns dos artistas que a subscrevem e que até tenho em conta (os outros, que não estes alguns, passam a vida a bater no peito e a chorar como são maltratados, enquanto maltratam aquilo que chamam arte/música) e os jornalistas que têm preenchido as colunas com textos sobre o tema.

Pex, no Expresso escreve-se que os impostos cobrados sob a actual lei, desceram de 6 milhões para 1,5 milhões. Vai daí, resolvem fazer lobby para alterar a lei, porque “está desajustada da realidade com graves prejuízos para os titulares de direitos”. Não é que acredite que alguns dos tais artistas tenham os bolsos cheios. O que não compreendo é que pensem em enchê-lo à conta do camelo que lhes dá uns trocos, taxando-o múltiplas vezes.

Senão, vejamos: o valor cobrado desceu porque a compra desceu. E qual é a conclusão desta gente iluminada pela sempre presente sapiência da SPA? Se não compram, arranjamos maneira de vos fazer pagar na mesma: a brilhante ideia é a de taxar todos os suportes que possivelmente possam ser usados para armazenar áudio. E possivelmente porquê? Porque querem que sejam taxados suportes que podem ser usados apenas para fins profissionais, armazenamento de dados não multimédia, fotografias pessoais, you name it, eles taxam.
E pelo meio “esquecem-se” de uma coisa muito importante: a compra dos suportes físicos de cds desceu não só por causa da fonte de todos os males – que ainda será culpada pelo fim do mundo, o ateísmo, a pedofilia e serial killers – a pirataria, mas também porque esta compra passou em grande parte para a compra de música online, sem suporte físico, e que, – imagine-se! – precisa dos tais suportes que eles querem taxar: telemóveis, leitores de mp3, pens, disco rígidos. Quer isto dizer que o que se procura é taxar duas vezes. Taxa-se quando compram a música que eles vendem e taxam sempre que se compre um suporte para armazenar e/ou ouvir a música que eles vendem. Pelo caminho taxam também quem usa os ditos suportes para outros efeitos que não os “culturais”. O que interessa é que se taxe. O que interessa é que a SPA encha os bolsos.

O que eu gostava de ver era uma discussão verdadeiramente elucidada sobre o assunto. E por enquanto não vejo nada. Nenhum artigo de imprensa parece abordar a questão com profundidade suficiente, ficando-se apenas pelas queixas da SPA e dos tais artistas.

Àqueles que gosto e respeito espero que se informem, repensem e apresentem propostas e ideias realmente inovadoras, que os possa ajudar sem chular aqueles a quem se dirige a sua arte.
Aos outros: bardamerda!
À SPA: uma bomba é que era!

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~ por salamandrine em Janeiro 29, 2012.

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