O pretérito perfeito do indicativo

Às vezes não entendia o que lhe estavam a dizer porque se distraía a analisar a estrutura sintática como se fosse um filólogo embalado pelos usos tergiversados da linguagem. Agora sucedia-lhe cada vez menos, mas quando estava com uma mulher, e lhe agradava o modo como falava, levava-a para a cama pelo entusiasmo que lhe provocava vê-la usar o pretérito perfeito do indicativo, como se a presença do passado no presente justificasse qualquer paixão.


Renzi


Ricardo Piglia,
Alvo Noturno

tradução de Jorge Fallorca
© Teorema

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~ por salamandrine em Janeiro 30, 2012.

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