30 anos

Estas pessoas fogem umas das outras. Fogem de si mesmas. Fogem do que lá descobriram sobre o homem… O que dele veio à superfície. Debaixo da pele. É isso… Eis porque… Algo ali… Em Chernobyl… Eu também conheci, senti aquilo de que não se quer falar. Por exemplo, que todas as nossas noções humanistas são relativas… Numa situação extrema, o homem, na realidade, não é de todo o homem que se descreve nos livros. Não encontrei, não me cruzei com o homem tal como aparece nos livros. É tudo o contrário. O homem não é um herói. Somos todos vendedores do apocalipse. Grandes e pequenos. Fragmentos instantâneos da memória…

 


Svetlana Alexievich, Vozes de Chernobyl
tradução de Galina Mitrakhovich
editora Elsinore

Image: Christopher Miller/Mashable

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~ por salamandrine em Abril 26, 2016.

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