New age

•Junho 15, 2015 • Deixe um comentário

Que estúpido país de tarados! Aqui, toda as jovens bebem água em quantidades tão grandes que ela acaba por lhes sair pelos ouvidos, porque pensam que isso “faz bem” e é “saudável”, embora tenha por único resultado a subida em flecha de jovens incontinentes no país. As crianças comem massa integral, pão integral e toda a espécie de estranhas variedades de arroz integral que os seus estômagos não digerem completamente, o que pouco importa, porque os produtos integrais “fazem bem” e são “saudáveis” pelo simples facto de serem “integrais”. Mas o quye se passa é que confundiram a alimentação com o espírito, pensam que através do que comem podem tornar-se seres humanos melhores, sem se darem conta de que os alimentos são uma coisa e as ideias que os alimentos evocam, outra e muito diferente. E quem lhes diga estas coisas, quem lhes diga alguma coisa que se pareça, ou é um reaccionário ou não passa de um norueguês — ou, por outras palavras, alguém com dez anos de atraso sobre o seu tempo.

 


Karl Ove Knausgård, Um Homem Apaixonado

tradução de Miguel Serras Pereira
Relógio d’Água

José Rodrigues dos Santos

•Maio 28, 2015 • Deixe um comentário

José Rodrigues dos Santos: O reconhecimento da televisão acontece, mas é muito minoritário. O público médio de televisão não compra livros. A motivação de ser uma figura pública não é relevante. Aliás, muitas vezes é motivo de desconfiança.

Entre o “gaba-te ó cesto” (lamento, moço, mas quem gosta de livros “à séria”, não é os teus que lê) e o desprezo pelos idiotas acéfalos que vêm televisão, e que, pelo visto, nem sequer sabem o que é um livro, quanto mais os dele, altamente intelectuais e cheios de palavras difíceis.

I do wonder quem é que compra essa merda toda.

aqui: Um autógrafo, se faz favor

um dia

•Maio 14, 2015 • Deixe um comentário

Este é o tipo de coisas, pensei eu, que nunca conseguimos ver nas notícias da televisão. São silenciosas conspirações de pessoas que parecem entender-se sem falar, caladas rebeliões que a cada momento têm lugar no mundo sem que sejam apercebidas, grupos que se formam ao acaso, espontâneas reuniões no meio do parque ou na esquina escura, e que nos permitem, de em quando, ser optimistas a respeito do futuro da humanidade. Juntam-se durante uns minutos e depois separam-se, e todos se afirmam na luta subterrânea contra a miséria moral. Um dia, sublevar-se-ão com fúria inédita e dinamitarão tudo.

 

Enrique Vila-Matas, Kassel não convida à lógica

tradução de Miranda das Neves
Teodolito
silenciosa rebelião

 

 

Zanguei-me com o Vila-Matas quando aceitou deixar de ser traduzido pelo Fallorca. Mesmo que já só o lesse em castelhano. Zanguei-me. Com as tricas, com a passividade, com o desgosto.
Volto a lê-lo traduzido. Não vou dizer que está mal traduzido. Não está. Falta-lhe a cumplicidade flâneur de Fallorca, um entendimento para lá das palavras. É uma ausência que paira entrelinhas. Hoje, no dia em que ele me gozaria por me ver, finalmente, calçar uns sanjo em vez dos meus all-star.

Saudades da fúria pouco silenciosa dele.

 

 

… há muito tempo que não liga algo que me comovesse…

saudades

•Março 11, 2015 • Deixe um comentário

Guadiana
 

 

do silêncio.
das rolas. das andorinhas. das pegas. das cegonhas. dos bandos descarados de estorninhos. dos coelhos. das lebres.

das oliveiras. dos rios. do Enxoé, do Guadiana.

da luz.

Beauvoir

•Janeiro 9, 2015 • Deixe um comentário

Je suis née à quatre heures du matin, le 9 janvier 1908, dans une chambre aux meubles laqués de blanc, qui donnait sur le boulevard Raspail.

the day after

•Janeiro 8, 2015 • Deixe um comentário

Durante a noite, três mesquitas foram atacadas e o carro de uma família muçulmana baleado.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=4329947&page=3

Se for eleita presidente de França, Marine Le Pen vai propor um referendo sobre a pena de morte, a que é “pessoalmente favorável”.

http://economico.sapo.pt/noticias/le-pen-promete-levar-pena-de-morte-a-referendo_209476.html

enche-me de medo

•Janeiro 7, 2015 • Deixe um comentário

a mansidão dos que tudo aceitam “para o nosso bem”.

 
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