
respirar.

Perdoa-se um museu ainda inacabado, um museu com ar de quem ainda está em obras. Perdoa-se até um museu pobrezinho. Com base nisso, até se perdoa a péssima ou nenhuma iluminação e as más molduras com vidros (ou plásticos) que chegam a dar às fotos um ar desfocado.
O que não se perdoa é uma exposição mal montada. Uma exposição sem fio condutor, sem organização espacial. Não existe uma ordem cronológica ou geográfica, ou qualquer outra que nos oriente naquele caos de cartazes que parecem ter sido pendurados ao acaso. Por todo o lado encontramos cartazes de Lenin ou Stalin, andamos para trás ou para a frente e damos com Ramalho Eanes ou Vasco Lourenço.
A legendagem é deficiente – muitos cartazes não datados – e se se quer que um museu também eduque, não se pode assumir que miúdos nascidos depois de 1980 vão conseguir identificar cartazes dos anos 70.
Cheguei ao fim da exposição com a sensação de ter estado perdida numa atabalhoada colecção que alguém guarda em casa. E tenho pena. Uma exposição destas tinha tudo para ser boa.
Uma outra nota: Os funcionários são simpáticos e atenciosos, mas deviam ter o cuidado de dar indicações mais precisas. Dizer que se pode aceder à exposição dos Cartazes políticos no piso de cima, por dois pontos de entrada, mas não dar a informação de que a exposição começa numa das entradas, tendo em conta o ar de obras que o espaço ainda tem, quem entra pelo meio do espaço do museu do design, só com sorte dá com a série de retratos de Angela Merkel, exposta mesmo à entrada da exposição. É que para lá chegar temos que passar por um monte de molduras com cartazes, no chão, encostados uns aos outros, numa zona que parece ainda em arrumos.
E já agora – porque é que não existem cartazes de Espanha? Se existe país com uma colecção excelente de cartazes políticos é Espanha. É no mínimo estranho não se ver nem um.
E parece que o Sr. Ron Howard conseguiu o impossível: deixar de ser levar a sério.
Sentei-me à frente do ecrã à espera de me entreter e divertir, sem ter que chatear o cérebro. E o objectivo foi cumprido, mas não da maneira involuntária, como aconteceu com o Código Da Vinci.
Posso estar enganada quanto às intenções do Sr. Ron, mas o Anjos e Demónios apenas quer ser um filme de aventuras com mistério e misticismo em doses suficientes para nos manter agarrados, e não uma extensão da banha da cobra do Dan Brown. Se não estiver enganada, cumpre muito bem. Como filme de aventuras é bom e as personagens conseguem ser credíveis nos seus papeis, talvez porque não estão a ser obrigadas a acreditar que isto é tudo “a sério”. Era isso o mais idiota e o mais hilariante no Código Da Vinci – os actores a quererem ser personagens que acreditavam nas balelas. O único que se safou foi o Ian McKellen que não sabe como não ser actor.
Sou gaja para gostar de filmes como A Múmia e afins e o Indiana Jones é o meu herói – gosto de filmes de aventuras e gosto de um cheirinho a misticismo. O Anjos e Demónios tem isso tudo em doses bem distribuídas.
Diverti-me. E é melhor do que A Múmia (nada é melhor que o Indy). E ainda se leva o bónus de uns belos cenários.
Claro que posso estar completamente enganada e isto ter sido só um excelente tiro ao lado do Ron Howard. Se assim for, venham mais.
Na sequência dos recentes acontecimentos no Irão, dois autores de origem iraniana, Payman e Sina, decidiram regressar a Persépolis, de Marjane Satrapi (com a sua autorização), dando-lhe continuidade no presente. As pranchas já concluídas podem ser vistas aqui e descarregadas gratuitamente em versão PDF. Para além disso, e tendo em conta o que se passa no Irão, os autores pedem ajuda à comunidade virtual para a divulgação do trabalho, pedido a que este Cadeirão se associa.
A escrita, quando bem governada, (como podeis estar certo que a minha é), é apenas outro nome para designar a conversação. Tal como ninguém, que saiba o que está a fazer quando se vê em distinta companhia, se aventuraria a dizer tudo; — também nenhum autor, que entenda os justos limites do decoro e da boa educação, se atreveria a pensar tudo: O mais verdadeiro respeito que podeis mostrar pelo entendimento do leitor é dividir as coisas a meio amigavelmente, deixando-lhe a ele algo que imaginar, por seu lado.
A Vida e Opiniões de Tristram Shandy
Laurence Sterne
tradução de Manuel Portela
Antígona
ouvir o céu a cair e hoje ele não me faz a vontade.
Imaginai vós qual não terá sido então o terror e a hidrofobia do Dr. Slop, quando lerdes ( o que ireis fazer não tarda nada) que ia ele avançando cautelosamente em direcção ao Solar Shandy, e estava já a umas sessenta jardas do local, e a umas cinco jardas duma curva apertada, formada pelo ângulo agudo do muro do jardim, — na parte mais enlameada duma estrada enlameada, — quando Obadiah e o cavalo de carruagem dobraram a curva, rápida e furiosamente, — catrapus, — em cheio em cima dele! — Nada na natureza, creio eu, pode ser imaginado de mais terrível que um tal Recontro, — nada mais desprevenido!, nada mais mal preparado para aguentar o choque do que o Dr. Slop!
O que podia o Dr. Slop fazer? — Fez o sinal da cruz † — Ora! — mas o médico, Senhor, era Papista. — Pouco importa; ele devia ter-se agarrado às rédeas. — Foi o que fez; — aliás, da forma como aquilo aconteceu, o melhor era não ter feito nada; — pois ao fazer o sinal da cruz largou o chicote, — e na tentativa de segurar o chicote, quando este escorregou, entre o joelho e a orla da slea, perdeu o estribo, — e ao perdê-lo, perdeu o assento; — e na multidão de todas estas perdas (as quais, a propósito, mostram a pouca vantagem que há em fazer o sinal da cruz) o desgraçado doutor perdeu a presença de espírito. De maneira que, sem aguardar a investida de Obadiah, deixou a sua pobre montada entregue ao destino, caindo dela abaixo diagonalmente, segundo o estilo e a maneira de um fardo de lã, e sem sofrer qualquer outra consequência da queda excepto a de ter ficado (como seria de esperar) com a sua parte mais rotunda atolada na lama, aí umas vinte polegadas.
A Vida e Opiniões de Tristram Shandy
Laurence Sterne
tradução de Manuel Portela
Antígona
Falemos de casas, da morte. Casas são rosas
para cheirar muito cedo, ou à noite, quando a esperança
nos abandona para sempre.
Casas são rios diuturnos, nocturnos rios
celestes que fulguram lentamente
até uma baía fria — que talvez não exista,
como uma secreta eternidade.
Herberto Helder
Ofício Cantante
Segundo dados divulgados pela APEL Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, foram mais de 350 mil pessoas que passaram pelas Feiras do Livro do Porto e de Lisboa. Na Feira do Livro de Lisboa passaram cerca de 200 mil visitantes, com as vendas a crescer entre 10 a 20% em relação à edição anterior. No Porto visitam a feira cerca de 150 mil pessoas, com as vendas a crescerem cerca de 20% em relação a 2008. Os dados de venda por editoras não foram estipulados, visto que as diferentes editoras participantes não facultaram os seus dados de vendas mas, segundo Vasco Teixeira, presidente executivo da Porto Editora, a edição deste ano marcou «um novo ciclo». Vasco Teixeira realçou ainda o trabalho da APEL, na organização das Feiras.
via Blogtailors – o blogue da edição: Números das Feiras do Livro de Lisboa e Porto.
só pode estar a falhar-me aqui qualquer coisa certamente muito óbvia – e nesse caso, por favor, alguém que me elucide - mas se as editoras não divulgam os valores das vendas como se chegou à conclusão que o volume de vendas aumentou 10 a 20% em relação ao ano passado? wishful accounting?