Às vezes

•Dezembro 31, 2009 • Deixe um Comentário

Às vezes despedimo-nos tão cedo
que nem lágrimas há que nos suportem o
peso da voz à solidão exposta
ou
de lisboa no corpo o peso triste

Às vezes é tão cedo que nos vemos
omitidos
enquanto expõe
o peso insuportável do amor
a despedida

É tão cedo por vezes que lisboa
estende sobre os corpos o desgosto

Com os dedos no crânio despedimo-nos


Gastão Cruz

Die, basterd!

•Dezembro 31, 2009 • Deixe um Comentário

bbye

Like Sycamores

•Dezembro 28, 2009 • Deixe um Comentário

There’s sap in the trees if you tap ‘em
There’s blood on the seas if you map ‘em
Christian, if you see your poppa
Tell him I love him
He taught me to love in the wild and
Fight in the gym

He taught me the bottle gives birth to the cup
And you won’t get hurt if you just
Keep your hands up
And stand tall
Like sycamores

Sycamore got to grow down to grow up
Young girl told the soul like baby’s first cup
And when they bend you in two
And say too green for the fire
When all you want to do is be a part of the fire
All you want to do is be the fire part of fire
Like sycamores

There’s sap in the trees if you tap ‘em
There’s blood on the seas if you map ‘em
Christian when I see your poppa
I’ll tell him you love him
And remember to love in the wild and
Fight in the gym
Remember the bottle gives birth to the cup
And you won’t get hurt if you just
Keep your hands up
And stand tall
Like sycamores


Bill Calhaham

diferente da vida

•Dezembro 27, 2009 • Deixe um Comentário

Este cantar dos anos de pobreza
diferente da vida e tão diverso
do poderoso som da esperança

por entre os dentes vis de que se nutre
a sua boca
sopra da aflição a turva música

Este cantar dos anos que a mudança
do canto fez diverso da esperança
é um canto de esperança enquanto canta


Gastão Cruz

estantes

•Dezembro 27, 2009 • 4 Comentários

os dias in between, a pausa entre caos e ruído, a bonança de silêncios e retiro.
procuro as coisas que perdi por entre o ruído do ano, a distracção do que (me) importa, o tempo perdido e o tempo que se perde a tentar voltar ao antes.
resoluções? não perder mais tempo. não ter que perder depois o tempo a tentar voltar ao meu lugar.

Merry Christmas everyone

•Dezembro 24, 2009 • 4 Comentários

burning down the house

Espírito de Natal

•Dezembro 21, 2009 • Deixe um Comentário

Estamos em Dezembro: a cidade está coberta de suor! A ostentação desregrada invadiu toda a vida colectiva. Fazem-se estrepitosamente enormes preparativos, como se existisse alguma diferença entre o período das Saturnais e os dias úteis. O facto é que não há qualquer diferença, e por isso mesmo acho que tem toda a razão quem afirma que se Dezembro em tempos foi um mês, agora é um ano inteiro!


Séneca

Cartas a Lucílio


não existe.

•Dezembro 14, 2009 • Deixe um Comentário

Seria que eu perdera a comunicação com os outros, no pior sentido, que é o de dar-lhes, ou permitir-lhes, a ilusão de que a comunicação subsiste? Ou seria que eu apenas, através dos choques que sofrera, acordara para a ciência lúcida de que uma comunicação não existe?

 


Jorge de Sena

Sinais de Fogo

Presunção de sofrer

•Dezembro 6, 2009 • Deixe um Comentário

Seria que, na verdade, nada assume a forma que a nossa presunção de sofrer desejaria? E que a vida não correspondia ao nosso gosto sentimental do espectáculo e da importância das coisas? Ou nós, depois dos acontecimentos, deixávamos de poder vê-los nas suas dimensões verdadeiras, que dependiam estritamente das emoções do momento? Ou não deixaríamos de poder vê-los, mas, para que os acontecimentos e as pessoas não ficassem maiores do que nós mais tempo do que é suportável, ou mais tempo do que é do próprio tempo que passa, os reduzíamos, por uma espécie de malícia cobarde a dimensões menores que as que, na verdade, tinham tido, apenas para, diminuindo-os, lhes aplicarmos um efeito de distância, pela qual as coisas e as pessoas, uma vez vividas por nós, não mais são afectadas? Esta redução não seria um artifício que igualava as coisas e as pessoas vividas às que o não tinham sido? Não serviria para equiparar o realmente acontecido ao que poderia ter acontecido mas não acontecera? Não seria uma habilidade do nosso espírito para dar um carácter hipotético e virtual à realidade, quando ela nos pesava mais pela responsabilidade que havíamos tido nela? E, quando, portanto, se sentia, como eu sentia, alguma frustração por os acontecimentos não terem assumido mais que os aspectos comuns a outros sem a mesma transcendência, o que significaria isso: real frustração, espelhando o que exigimos das coisas e das pessoas mais do que elas podem dar (e precisamente porque nos eximimos nós a contribuir com a nossa parte para essas transcendências), ou consciência de culpa, inerente ao facto de, posteriormente, e segundo a nossa comodidade de espírito, termos reduzido a nada ou a muito pouco as pessoas e as coisas comprometidas connosco?


Jorge de Sena, Sinais de Fogo

Presunção de sofrer

 

Penso que deve existir para cada um
uma só palavra que a inspiração dos povos deixasse
virgem de sentido e que,
vinda de um ponto fogoso da treva, batesse
como um raio
nos telhados de uma vida, e o céu
com águas e astros
caísse sobre esse rosto dormente, essa fechada
exaltação.

Que palavra seria, ignoro. O nome talvez
de um instrumento antigo, um nome ligado
à morte — veneno, punhal, rio
bárbaro onde
os afogados aparecem cegamente abraçados a enormes
luas impassíveis.
Um abstracto nome de mulher ou pássaro.
Quem sabe? — Espelo, Cotovia, ou a desconhecida
palavra Amor.

Sei que a minha vida estremeceria, que
os braços sonâmbulos
iriam para o alto e queimariam a ligeira
noite de junho, ou que o meu
coração ficaria profundamente louco. E nessa
loucura
cada coisa tomaria seu próprio nome e espírito,
e cada nome seria iluminado
por todos os outros nomes da terra, e tudo
arderia num só fogo, entre o espaço violento
do mês de primavera e a terra
baixa e magnífica.


Herberto Helder

Put my face in tomorrow

•Dezembro 5, 2009 • 6 Comentários

I wish I was smarter
I got so lost on the shore
I wish I was taller
Things really matter to me

But I put my face in tomorrow
I believe we’re not alone
I believe in Beatles
I believe my little soul has grown
And I’m still so afraid

Yes, I’m still so afraid
Yea, I’m still so afraid on my own
On my own
What made my life so wonderful?
What made me feel so bad?
I used to wake up the ocean
I used to walk on clouds
If I put faith in medication
If I can smile a crooked smile
If I can talk on television
If I can walk an empty mile
Then I won’t feel afraid
No, I won’t feel afraid
I won’t be Be afraid
Anymore
Anymore
Anymore


David Bowie, Afraid

and the world outside

•Dezembro 5, 2009 • Deixe um Comentário


can all be blown to hell

The basis of Democracy

•Dezembro 5, 2009 • Deixe um Comentário

What Lange saw in her subjects came partly from her own consciousness. Her portraits of sharecroppers and interned Japanese Americans express her emotions as well as theirs. Yet there is a durable distinction between gazes turned inward and those turned outward. Critic Linda Nochlin pointed out that artistic realism arose as a democratic form, reserved for representing the common people, deriving from the anti-aristocratic movements or the nineteenth century. Lange’s realistic approach was itself a democratic form, representing others, no matter how plebeian, as autonomous subjects, most certainly not as emanations of herself. She did this through portraiture. Her documentary photography was portrait photography. What made it different was its subjects, and thereby its politics. She looked at the poor as she had looked at the rich, never stereotyping, never pretending “to any easy understanding of her subjects,” in the words of Getty museum curator Judith Keller. “Every Lange portrait subject is complex, and to some degree, inscrutable…. She never provides any superficial suggestion that we understand that person immediately.” That final, impermeable layer of unknowability is the basis of mutual respect and, in turn, the basis of democracy.


Linda Gordon,
Dorothea Lange, A life beyond limits