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•Setembro 4, 2013 • Deixe um comentário

o que nunca há-de ver.
o que nunca há-de ser.

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•Setembro 2, 2013 • Deixe um comentário

Soube então, com humildade, com perplexidade, num arranque de mexicanidade absoluta, que éramos governados pelo acaso, e que nesse temporal todos nos afogaríamos, e soube que apenas os mais astutos, não eu, certamente, se iam manter à tona um pouco mais de tempo.


Roberto Bolaño, Detectives Selvagens

tradução de Miranda das Neves
Teorema

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•Agosto 7, 2013 • Deixe um comentário


Fechar a porta

•Agosto 7, 2013 • Deixe um comentário

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•Agosto 7, 2013 • Deixe um comentário

Lá fora as pessoas caminham depressa, encolhidas, não como se esperassem uma tempestade mas como se a tempestade já ali estivesse.

Ânsia de matar

•Agosto 1, 2013 • 2 Comentários

A Porta do solJerusalém

Assumi assim que lhe peguei, que ler o livro do Saul Bellow seria desafiante e que a probabilidade de me irritar e praguejar seria grande. Será possível para um judeu, qualquer judeu, sionista ou não, a viver em Israel, ou na diáspora, ser totalmente objectivo quando fala de Israel e no conflito com os árabes? Duvido. Menos ainda levando em consideração a data em que o livro foi escrito: primeira metade da década de 70.
E no entanto, fui avançando na leitura e acalmando o ânimo. Nem que fosse apenas por me deixar uma maior compreensão e leitura do lado israelita, teria valido a pena lê-lo. Mas Bellow é um grande escritor e não é completamente cego. Não é completamente objectivo (seria possível pedir-lhe isso? Seria sequer obrigado a sê-lo?), mas não é cego. Nem para (algumas) falhas de Israel, nem para (algumas) dores dos árabes. O que me irritou particularmente foi o recorrente recurso à observação de que se espera mais de Israel do que de outros países, que Israel não é pior do que foram outros, que não é mais injusto do que outros são, que não derrama mais sangue do que derramaram outros na formação dos seus países. Não ser pior não devia ser desculpa para ser. E faz-me muita confusão ler este discurso pela caneta de um judeu. Se espero mais? Se calhar sim. Por terem sofrido deviam ter noção de sofrimento. Maior do que “os outros”. Se é justo esperar mais de Israel e dos judeus? Parece-me mais justo esperar mais e melhor do que esperar igual ou pior. E Israel não está a saber ser melhor.

Se ambos os lados conseguissem reconhecer que ambos são irracionais na pretensão do terreno. É, mais do que qualquer outra coisa, uma questão emocional, religiosa, de fé. E nenhum a admite do outro lado.

Ser-se ateu torna mais difícil compreender o quão importante aquela terra é para ambos os povos. O livro de Khouri mostrou-me o amor de alguém que nunca viveu naquele espaço, e o de Bellow mostra o mesmo. Bellow é o judeu americano que vai a Israel de férias, de passagem. A personagem do livro de Khouri é o árabe que ama a Palestina mas que nunca a conheceu a não ser pelas histórias doridas dos velhos. Que conhece as oliveiras que os israelitas arrancaram e as casas brancas onde agora moram colonos, porque cresceu a aprendê-las de cor. Cresceu e vive em campos de refugiados. Não tem pátria. Os judeus da diáspora defendem a terra onde nunca moraram. Onde podem “regressar” quando quiserem, que amam como se sempre tivesse sido sua, mesmo que nunca tenha sido. Porque lhes foi destinada por Deus.

Mas a ânsia de matar para cumprir desígnios políticos — ou de justificar as mortes através desses desígnios — tem a mesma força de sempre.


Saul Bellow, Jerusalém Ida e Volta

 

E por esta altura recomeçam as negociações de paz…

 

 

A seguir vou ver o que me diz o Harvey.

Israel

Silêncio

•Julho 30, 2013 • Deixe um comentário

uma, duas horas depois, voltar a usar a voz. estranhar o som. ressentir a quebra de silêncio.
há quem diga que as plantas gostam que se fale com elas. eu também falo. monólogos silenciosos. mãos na terra, rebentos e cortes. cheiro de terra molhada. podas, transplantes. começar do zero. plantar. olhar todos os dias. ver as cores mudar, rebentos a nascer, flores, folhas novas. folhas amarelas. folhas verdes cheias de vida.
e silêncio.

 
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